Wagner Moura afirmou que o filme Marighella, dirigido por ele, foi sabotado no Brasil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ator e cineasta deu a declaração em entrevista ao jornal britânico The Guardian, ao lado do diretor Kleber Mendonça Filho.
Segundo Kleber, o longa sofreu um boicote não oficial e sem explicações claras. “Foi sabotado de forma cínica e não oficial, e Wagner nunca vai receber uma explicação. É aí que entra Kafka”, afirmou, em referência ao livro O Processo, do escritor Franz Kafka, no qual o personagem enfrenta uma acusação sem saber exatamente do que é culpado.
Wagner Moura disse ter ficado espantado ao relembrar o episódio. “Não dá para se defender, porque você não sabe exatamente o que aconteceu”, afirmou. O filme, que retrata a trajetória do guerrilheiro Carlos Marighella, assassinado pela ditadura militar, foi lançado na Europa em 2019, mas teve a estreia no Brasil adiada por dois anos.
Durante a entrevista, o ator também comentou ataques recentes nas redes sociais. Segundo ele, há acusações de que teria recebido dinheiro para apoiar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Kleber e eu estamos sendo atacados no Brasil neste momento. Estão dizendo que o governo nos pagou milhões de dólares para apoiá-lo”, disse.
Kleber Mendonça Filho falou ainda sobre a abordagem da ditadura militar em seu filme O Agente Secreto, no qual Wagner Moura interpreta um professor universitário perseguido por um empresário com ligações com o governo. “A ditadura se manifestou de muitas formas diferentes”, explicou.
Wagner Moura também afirmou estar sendo pressionado a não criticar o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. “Estou sendo muito incentivado a não falar nada. Mas vou continuar falando”, declarou.



