O Ministério da Saúde avalia solicitar à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) a inclusão de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” na rede pública de saúde.
A possibilidade ganhou destaque após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmar, durante visita a Montes Claros (MG), que o medicamento poderá ser utilizado gratuitamente por pessoas com obesidade.
Segundo gestores que acompanham o debate, ainda não está definido quando o pedido será apresentado. Mesmo que a incorporação seja aprovada, a oferta nacional não deverá ocorrer de forma imediata.
O ministério analisa dados sobre a eficácia dos medicamentos e o impacto financeiro de uma eventual compra pública. Um dos estudos em andamento é realizado pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, com 250 pacientes com obesidade grave e indicação para cirurgia bariátrica. Os resultados devem ajudar a definir o público que poderia ter acesso ao tratamento.
Após receber uma solicitação, a Conitec tem prazo de até 180 dias para emitir um parecer, prorrogável por mais 90 dias. Em caso de aprovação, o Ministério da Saúde ainda precisa estabelecer um protocolo de uso e definir, junto a estados e municípios, como será o financiamento.
Paralelamente, a Conitec recebeu, em junho, um pedido da farmacêutica Novo Nordisk para incorporar o Wegovy, à base de semaglutida, ao SUS para pacientes com obesidade que já sofreram infarto. A proposta estima um público de 38.598 pessoas e custo anual entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões.
Em 2025, a comissão havia rejeitado um pedido da empresa para um público mais amplo, diante de uma estimativa de impacto financeiro que poderia chegar a R$ 8 bilhões.
As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos agonistas de GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes e da obesidade. Entre os principais medicamentos estão produtos à base de semaglutida, como Ozempic e Wegovy, e de tirzepatida, como Mounjaro.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), afirmou que a pasta já vinha estudando a possibilidade de disponibilizar esses medicamentos pelo SUS e negou que a iniciativa tenha caráter eleitoral.
A discussão ganhou força após a queda da patente da semaglutida, em março deste ano. Desde então, a Anvisa já registrou novos medicamentos com o princípio ativo, incluindo produtos de fabricantes nacionais. No entanto, os registros concedidos até o momento têm indicação para tratamento do diabetes, o que limita a possibilidade de utilização desses produtos em uma eventual licitação destinada ao tratamento da obesidade.



