Morreu neste sábado (13), aos 95 anos, o ator, diretor, pesquisador e especialista em Carnaval Haroldo Costa. A informação foi confirmada pela família por meio das redes sociais do artista. Ele estava internado recentemente para tratar problemas de saúde relacionados à idade.
Nascido no Rio de Janeiro, Haroldo Costa teve uma trajetória marcante nas artes cênicas e na cultura brasileira. Foi integrante do Teatro Experimental do Negro, grupo histórico fundado por Abdias do Nascimento na década de 1940, fundamental para a valorização de artistas negros no teatro nacional. Sua entrada no grupo aconteceu quase por acaso, ao substituir um colega na montagem da peça O Filho Pródigo, de Lúcio Cardoso, em 1948. No coletivo, aproximou-se de nomes como Ruth de Souza e Milton Gonçalves.
Ao longo da carreira teatral, Haroldo Costa acumulou feitos pioneiros. Foi o primeiro ator negro a interpretar Jesus Cristo em uma montagem de O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, atuou em Orfeu da Conceição e tornou-se também o primeiro artista negro a se apresentar no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Na televisão, construiu uma sólida carreira na TV Globo, onde dirigiu musicais e programas de auditório com artistas como Dercy Gonçalves, Chacrinha e Moacyr Franco. Como ator, participou de produções para cinema e TV, incluindo a minissérie Chiquinha Gonzaga (1999).
Além do trabalho nos palcos e nas telas, Haroldo Costa dedicou-se intensamente ao Carnaval carioca. Foi pesquisador, escritor e comentarista da festa, tornando-se uma das maiores referências sobre o tema. Entre suas obras estão Cem Anos de Carnaval no Rio de Janeiro e uma biografia da escola de samba Salgueiro.
Com uma carreira marcada pelo pioneirismo e pela defesa da cultura negra brasileira, Haroldo Costa deixa um legado fundamental para o teatro, a televisão e o Carnaval do país.



