Uma mulher admitiu, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, que foi a responsável por divulgar informações falsas sobre a morte do cão Orelha, em Florianópolis (SC). Sem ter visto qualquer gravação, ela publicou nas redes sociais que adolescentes teriam espancado o animal até a morte, o que posteriormente se mostrou inverídico.
Segundo o relato, a publicação foi baseada apenas no comentário de uma conhecida, que teria afirmado que um porteiro possuía um vídeo da suposta agressão, mas que teria sido coagido por familiares dos adolescentes a não divulgar as imagens. Questionada pela polícia, a mulher confirmou que nunca assistiu a nenhum vídeo.
“Partiu de mim o post que contou sobre o espancamento do Orelha. Eu não imaginei que fosse repercutir tanto”, afirmou. Ela disse ainda que se arrependeu ao perceber que a postagem gerou ameaças e desejo de vingança contra os jovens envolvidos. “Pequei, porque não deveria ter acreditado nela”, declarou.
A delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal, reforçou que, em nenhum momento, a polícia confirmou que o cachorro tenha sido espancado até a morte. A investigação foi conduzida em conjunto com a Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei.
De acordo com o veterinário responsável pelo atendimento, Orelha morreu após sofrer uma pancada na cabeça, cuja gravidade se agravou com o passar dos dias. O animal apresentava um inchaço compatível com uma agressão causada possivelmente por um objeto de madeira ou uma garrafa. O cão morreu dois dias depois, em 5 de janeiro.
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil de Santa Catarina solicitou a internação de um adolescente e indiciou três adultos por coação de testemunhas. Ao todo, oito adolescentes foram investigados. O jovem apontado como autor foi identificado após a análise de mais de mil horas de imagens de 14 câmeras de segurança na região da Praia Brava, além da comparação de roupas e oitiva de 24 testemunhas.
A polícia informou ainda que o adolescente viajou para os Estados Unidos no mesmo dia em que os suspeitos foram identificados, retornando ao Brasil apenas em 29 de janeiro, quando foi detido no aeroporto. Um familiar teria tentado esconder roupas usadas no dia do crime, e o jovem apresentou contradições em seu depoimento.
O caso foi finalizado e encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A defesa de um dos adolescentes classificou as investigações como frágeis e afirmou que ainda não teve acesso completo ao inquérito. Já o Ministério Público de Santa Catarina solicitou novos esclarecimentos por considerar que ainda existem lacunas na reconstrução dos fatos.
Siga @midiafestof para ver mais 📲



