Um ex-servidor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) foi condenado pela Justiça da Bahia após amputar o próprio pé direito em uma suposta tentativa de receber cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações de seguros. O caso ocorreu em 2019 e teve a condenação mantida pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que rejeitou os recursos apresentados pela defesa.
Identificado como Vanderley dos Santos Gomes, então com 26 anos, o homem trabalhava como técnico-administrativo da universidade e recebia salário de R$ 3.564,51. De acordo com as investigações, ele contratou quatro apólices de seguro de vida e acidentes pessoais entre junho e julho de 2019 junto às seguradoras Allianz, Zurich, Tokio Marine e Sompo.
Poucas semanas após as contratações, Vanderley apareceu com o pé direito amputado e alegou ter sido vítima de um sequestro seguido de agressão em uma área entre os municípios de Cruz das Almas e São Gonçalo dos Campos. Com base nessa versão, buscou o pagamento das indenizações previstas nos contratos.
No entanto, a investigação identificou diversas inconsistências no relato. Laudos periciais, documentos, relatórios médicos e depoimentos reunidos durante o processo apontaram que a versão apresentada não era compatível com as provas encontradas.
Entre os elementos considerados pela Justiça estavam o curto período entre a contratação dos seguros e o suposto crime, a falta de detalhes sobre os autores da agressão e a localização de objetos pessoais do servidor próximos ao local da amputação, situação considerada incompatível com a narrativa de roubo.
Na sentença, o magistrado destacou que o relato não era coerente nem verossímil. Segundo a decisão, não havia explicação plausível para que a vítima fosse sequestrada e tivesse o pé amputado sem qualquer motivação aparente.
A defesa sustentou que não existiam provas suficientes para demonstrar que o ex-servidor teria provocado a própria lesão com o objetivo de obter vantagem financeira, mas os argumentos foram rejeitados pelo TJ-BA.
Condenado por fraude securitária, Vanderley recebeu pena de dois anos de reclusão. A punição foi convertida em medidas restritivas de direitos, que passaram a ser cumpridas em regime aberto.
Até o momento, a UFRB não se pronunciou oficialmente sobre o caso.



