O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou como injusta a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) pelo crime de coação no curso do processo.
A decisão foi proferida na última terça-feira (16) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicial semiaberto. Além da pena, ele deverá pagar multa de aproximadamente R$ 150 mil, perder o cargo de escrivão da Polícia Federal do qual está afastado e ficará inelegível por até oito anos com base na Lei da Ficha Limpa.
Segundo a acusação, Eduardo Bolsonaro articulou junto a autoridades e aliados do governo dos Estados Unidos a adoção de sanções contra ministros do STF e medidas econômicas contra o Brasil com o objetivo de pressionar a Corte em relação às investigações sobre a suposta trama golpista.
Ao comentar a decisão, durante o lançamento da Operação Integra SP, realizado na quarta-feira (17), no Sambódromo do Anhembi, na capital paulista, Tarcísio afirmou concordar com os argumentos apresentados pela defesa do ex-parlamentar.
“Eu faço meus os argumentos que a defesa apresentou. Acho que a condenação foi injusta e não prejudica em nada o transcurso da eleição do nosso grupo, a eleição do Flávio [Bolsonaro] e a eleição dos nossos senadores”, declarou o governador.
O evento marcou a entrega de 251 viaturas e 4,2 mil novos armamentos para as Polícias Militar e Civil e para o Corpo de Bombeiros. Segundo o governo estadual, o investimento total foi de R$ 74,5 milhões.
Durante a cerimônia, Tarcísio também respondeu às críticas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo paulista, que havia questionado a privatização da Sabesp e prometido revisar contratos como o da Linha 6-Laranja do metrô.
“Parece que ele está muito mal orientado. Se tem sigilo, tem que ter algum ato que levantou sigilo. Existe? Pede para ele apresentar”, afirmou o governador ao rebater as acusações de falta de transparência.
Tarcísio ainda defendeu a privatização da Sabesp, destacando o reconhecimento internacional da operação. “Não foi por acaso que ela foi eleita o melhor follow-on do mundo nos Estados Unidos e no Reino Unido”, disse.
Em nota divulgada após a condenação, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, criticou o ministro Alexandre de Moraes e alegou que não teve garantido o devido processo legal. O ex-deputado sustentou que deveria ter sido notificado por carta rogatória, argumento também utilizado pela Defensoria Pública da União (DPU), que pediu a anulação da ação.
Representado pela DPU por não ter constituído advogados particulares, Eduardo também alegou falta de imparcialidade de Moraes na condução do processo.



